Alegria perfeita





Certa vez Frei Leão perguntou a Francisco de Assis:

- Em nome de Deus, diga-me o que consiste a perfeita alegria?

Francisco respondeu:

- Se chegarmos à Igreja de Santa Maria dos Anjos  molhados de chuva, tremendo de frio, sujos de lama, com fome e, quando batermos à porta, o porteiro perguntar quem somos nós e dissermos que somos dois irmãos, mas ele não acreditar e afirmar que somos ladrões que roubam esmolas dos pobres e se recusar a abrir a porta?

Continuou Francisco:

- Ficaremos  novamente na chuva, no frio, na neve e com fome pela noite adentro. Se nós suportarmos todos os contratempos, todas as ofensas com tranquilidade, sem murmurar ....  se ainda acharmos com carinho e humildade que o porteiro, de fato, nos conhece bem e foi Deus que pôs essas palavras na boca dele... Então, Frei Leão, essa seria a alegria perfeita.

Portanto,  alegria perfeita não existe. Ela faz parte da vida de espíritos perfeitos.

Bom início de semana.




O preço da serenidade







Página do folheto “Como cultivar a harmonia”, de Carmem Seib, editado em 2002 pela Editora Paulinas.




Sabedoria da vida








Trecho do livro “O Jardim da minha vida”, de José Carlos de Lucca, Editora Saraiva.



Seu Gadelha






Minhas idas ao comércio do centro do Recife estão cada vez mais raras. Mas, quando eu vou, geralmente, aos sábados, costumo guardar o carro com Seu Gadelha.

Há uns meses atrás, eu estava com minha filha, quando ele disse que era conhecido nacionalmente e explicou: - aqui para carro de todo lugar, de Curitiba, de São Paulo... (e foi dizendo as cidades). Achamos engraçado.

Recentemente, fui ao centro com meu marido. E quando fui pegar o chapéu na mala do carro, ele disse: - A senhora parece uma britânica (e ficou repetindo). Ele estava se referindo a cor de minha pele, mas não sabia bem o que era ser britânico.

Então, eu pensei: Seu Gadelha está reconhecido internacionalmente 😄. Aqui deve ter parado um carro, com placa nacional, mas com algum britânico , bem brancão, dentro.

Seu Gadelha trabalha como flanelinha no centro do Recife há 26 anos. Já leva o filho para transmitir seu ofício. Bem se vê, que ele é um homem que não teve chances de frequentar a Escola, e por isso se tornou trabalhador informal, logo cedo. Mas, ele tem orgulho de sua trajetória.

Nacionalmente ou internacionalmente, Seu Gadelha está certo quando faz sua propaganda, gerando confiança nos motoristas. Afinal, aquela história conhecida que a galinha bota ovo e faz um alarde, enquanto a pata fica silenciosa ao parir, é verdade.

Às vezes, o profissional não produz com competência e tem o reconhecimento das pessoas. Ele faz um alarde do que poderia fazer (mas, não faz); se escora no trabalho do colega ao lado; ludibria; é porta-voz das ideias dos outros como se fossem suas; não se envolve em decisões com medo da responsabilidade e faz alianças. São pessoas que sabem escutar muito bem, amacia o ego de seu interlocutor e colhem informações para vender o peixe, ou seja, vender sua imagem como um exímio profissional.

Enquanto outros produzem; se comprometem com os objetivos, dividem responsabilidade pelos bons ou maus resultados; aperfeiçoam ferramentas; induzem à melhoria comum; vestem a camisa; mas trabalham sem alarde. E mesmo que todos saibam de seu profissionalismo, muitos gestores escolhem aqueles que circulam entre todos como um pavão, sem nada fazer.

E viva Seu Gadelha. Vamos aprender com ele.