Um biscoito, um jardim, um desejo





Sertão de Minas Gerais...

Há muitos anos...

Numa dessas tantas viagens que nós já fizemos, de carro, por esse Brasil afora, tivemos que parar nos arredores de um posto de gasolina para que meu marido pedisse informações sobre a estrada.

Uma criança de uns 11 anos, mas aparentava 7 por causa da desnutrição, aproximou do nosso do carro. Com curiosidade, ele olhou para dentro do carro onde estava eu e meus dois filhos.

Resolvi puxar conversa. Como é de praxe, perguntei se morava na redondeza, se estudava e qual a idade. Ele respondeu meio desconfiado.

Então, eu perguntei se ele estava com fome. E a resposta foi afirmativa.

Eu peguei uns biscoitos que eu levava para o lanche dos filhos e lhe entreguei. Uma cara de alegria, mistura à timidez, me levou a outra pergunta:

- Você já comeu biscoitos recheados de chocolate?

- Não, respondeu a criança.

- Nãaaaaaaaaooooooo? – Perguntamos quase todos juntos.

- Não, respondeu a criança mastigando o biscoito com muito gosto e foi embora.

Lembrei-me desse fato um dia quando o apresentador Luciano Huck realizou o sonho de uma criança em ter um jardim.

Um biscoito, um jardim, um desejo.

Às vezes, os sonhos são tão simples de serem realizados, mas é preciso que eles sejam ditos, compartilhados.


Infelizmente, ainda existem no nosso país milhões de crianças que possuem desejos básicos: alimentação, moradia, educação, saúde e oportunidades para mudarem de vida.

Acredito que cada um de nós pode fazer um pouco, engajando-se  em trabalhos voluntários e assistenciais. De maneira alguma, estou esquecendo o que compete aos nossos governantes, mas enquanto não há o pontapé inicial para mudarmos essa situação nas eleições que se aproximam, milhões de crianças esperam oportunidades para sobreviver.









Alegria perfeita





Certa vez Frei Leão perguntou a Francisco de Assis:

- Em nome de Deus, diga-me o que consiste a perfeita alegria?

Francisco respondeu:

- Se chegarmos à Igreja de Santa Maria dos Anjos  molhados de chuva, tremendo de frio, sujos de lama, com fome e, quando batermos à porta, o porteiro perguntar quem somos nós e dissermos que somos dois irmãos, mas ele não acreditar e afirmar que somos ladrões que roubam esmolas dos pobres e se recusar a abrir a porta?

Continuou Francisco:

- Ficaremos  novamente na chuva, no frio, na neve e com fome pela noite adentro. Se nós suportarmos todos os contratempos, todas as ofensas com tranquilidade, sem murmurar ....  se ainda acharmos com carinho e humildade que o porteiro, de fato, nos conhece bem e foi Deus que pôs essas palavras na boca dele... Então, Frei Leão, essa seria a alegria perfeita.

Portanto,  alegria perfeita não existe. Ela faz parte da vida de espíritos perfeitos.

Bom início de semana.




O preço da serenidade







Página do folheto “Como cultivar a harmonia”, de Carmem Seib, editado em 2002 pela Editora Paulinas.




Sabedoria da vida








Trecho do livro “O Jardim da minha vida”, de José Carlos de Lucca, Editora Saraiva.