Minha esperança










O aborto








Na antiguidade, muitas atrocidades eram permitidas sob o beneplácito dos governantes e o apoio daqueles encarregados de cumprir a lei.


O credor tinha autorização para matar ou escravizar o seu devedor inadimplente e o pai podia sacrificar o filho nascido com deficiência, por exemplo.

No mundo atual, dito civilizado, a prática do aborto tem gerado polêmica. 

Alguns países o permitem, sob o argumento de que é uma decisão que cabe à mãe, já que o filho é um fruto do seu ventre; outros, contrariamente, impõem restrições ou o incriminam com penalidades severas, como no Brasil. 

Obviamente,




Um ser humano geneticamente diferenciado de outros seres vivos, que vai ganhando forma até o nascimento, sendo irrelevante se está com dias ou meses da concepção.

Outro argumento muito em voga, é que o aborto é feito em clínicas clandestinas ou por meios abortivos que oferecem risco à vida das mães, justamente porque é proibido; se não fosse, seria mais seguro, higiênico e poderia ser feito em hospitais públicos.

O que não dizem é que seria uma forma de incentivá-lo, pela ausência de proibição.

As pessoas, naturalmente, não se preocupariam tanto com a prevenção, já que somente com a certeza da fecundação - que não é tão comum - teriam tempo para decidir descartar o embrião ou feto, abortando-o.

O proibido tornar-se-ia banal e, naturalmente, o risco seria o mesmo para as mães, devido ao aumento de casos, e muitíssimo maior para os filhos abortados.

A legalização, a permissão pública, só o tornaria mais asséptico e comum, mas não menos letal para uma vida em formação.

Depois, mesmo que fosse banal, aceitável socialmente, o aborto ainda assim se constituiria um ato de violência contra a vida, a moral e a ética.

A morte de um ser por outro só encontra justificativa na natureza pela necessidade ou instinto de sobrevivência (alimentação, procriação e defesa).
É um problema social? Claro que é!

Mas nunca deixará de ser um atentado contra a vida e a integridade de outrem, ainda que este esteja em formação, indefeso e no útero de uma mãe aflita, arrependida e merecedora da misericórdia e do perdão de todos os outros homens e mulheres.

Claro que se pode permitir o aborto em situações excepcionais, como nos casos de risco de vida para a mãe, gestação inviável e tantos outros casos eticamente aceitáveis, mas por tempo de gestação, jamais. 

Ruy Trezena Patu Junior, magistrado e escritor




Árvore de Natal e culinária nordestina







Encontro de gerações: Mamãe, eu e a filhota Amanda Carolina



E todos se reuniram para montar a árvore de Natal...

Como faço aniversário no início de dezembro, gosto que a árvore seja montada antes desse dia, como minha mãe fazia quando eu era criança.

A árvore pode ser uma influência estrangeira, mas o lanche aqui em casa foi bem à culinária nordestina.  Então, antes mesmo de começarmos a montagem da árvore, comemos um escondidinho de charque (ou carne seca).  Receita bem simples e muito gostosa.

Ingredientes que usei:

1 ½ kg de macaxeira 
600 gramas de charque ou carne seca
200 ml de leite de coco (1 vidro pequeno) diluído em 5 colheres (sopa) de água
1 caixa pequena de creme de leite
1 ½ cebola grande
Temperos secos: alecrim; salsa, cebola e alho desidratados, entre outros. Fica ao seu critério.
250 gramas de queijo mussarela



1.   Cozinhei a macaxeira com um pouco de sal.
2.   Escorri, passei no multiprocessador com o leite de coco e ficou no ponto de papa.
3.   Acrescentei o creme de leite. R
4.   Espalhei metade do creme numa pirex.
5.   Numa panela, cortei a charque, coloquei água e levei ao fogo até levantar fervura. Escorri e passei no multiprocessador.
6.   Coloquei a charque numa assadeira, acrescentei a cebola, óleo, azeite de oliva e temperos secos.
7.   Despejei a charque sobre o creme que estava na pirex.





8.   Despejei a outra metade do creme de macaxeira.
9.   Cobri com queijo mussarela e levei ao forno até derreter.

Ficou uma delícia!




O acompanhamento? 

Arroz branco com batata palha e uma sobremesa (delícia de chocolate). 

Se você ainda não armou sua árvore de Natal, vamos se animar?  

Bom início de semana.









O bom professor conhece as falhas do aluno








Há um mês e meio, eu estava atravessando a rua e ouvi alguém chamar meu nome. Era um estudante de pós-graduação que eu conhecia e que tinha acabado de receber o resultado da avaliação de sua monografia. Ele me disse:

- Por favor, olha. E entregou sua monografia pra mim.
- Pediram-me para refazer, complementou aborrecido.

Parada na rua, eu abri a monografia e li o recado, escrito em letras imensas, dizendo que o aluno deveria refazer para que ela (a professora) pudesse avaliar.

Eu balancei a cabeça de forma afirmativa, concordando com o que estava escrito e o aluno pediu que eu verbalizasse. Um pouco constrangida por ter que verbalizar, eu folheei novamente e perguntei:

- Foi você mesmo quem fez?
- Por quê? – disse o aluno meio perturbado.

- Você cometeu vários erros grosseiros de normatização. Mas, o que chama muito mais atenção é a sua conclusão. Nem uma dissertação de mestrado, tem uma conclusão com tantas páginas. Ela mostra que quem fez não tinha conhecimento do assunto e não teve um encadeamento lógico de ideias. Então, para ser franca mesmo, a professora foi muito compreensiva em deixar você refazer.

O aluno agradeceu e foi embora. E eu segui o meu caminho...

Então, nesta época de final de ano, quando muitos alunos estão entregando os trabalhos de conclusão de curso ou disciplina, e também respondendo aos leitores que enviam dúvidas sobre normatização, é sempre oportuno lembrar que o bom professor é aquele que acompanhou o processo de aprendizagem dos alunos.

Portanto, ele está apto para avaliar e não precisará de muito esforço, porque apenas folheando o trabalho, saberá se foi o aluno quem fez ou não, e se o aluno está citando livros e artigos que sequer consultou.


Fiquem atentos!


Eu fico preta





"Eu fico preta" - Esta frase eu ouvi, repetidas vezes, de uma senhora racista, em 2013 e 318 anos depois da morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695, líder negro que resistiu por mais de 16 anos à subjugação dos brancos portugueses. A senhora irada, falava de forma pejorativa e sequer percebia a minha repulsa diante do eu que ouvia.



Tudo na nécessaire


Levando em consideração o heroísmo do povo africano em viver numa terra desconhecida e sobreviver ao destrato, pensei em quantas vezes eu fico preta e cheguei à conclusão que:

Eu fico preta quando me encho de coragem para reivindicar meus direitos.

Eu fico preta quando sou tocada de humildade, como os escravos, e torno-me flexível para driblar as situações difíceis e conviver com várias pessoas.

Eu fico preta quando luto, como os negros, para preservar minhas tradições e respeitar minha herança cultural.

Eu fico preta quando me curvo, sem perder a ombridade e  sem manchar meu caráter, mas apenas para obedecer aquilo que não posso mudar - no momento.

Eu fico preta quando me sinto amada e protegida pelos velhos, sábios negros, e revivo suas cantorias nas noites de luar.

Eu fico preta quando sou contagiada pelos sons de tambores e atabaques e meu corpo vibra num gingado alegre que só brasileiros podem entender.

Eu fico preta quando me delicio com cuscuz, tapioca, acarajé, munguzá, vatapá, inhame, macaxeira e feijoada.

Eu fico preta quando tomo chás de plantas medicinais que acalmam e aliviam minhas mazelas materiais e espirituais.

Eu fico preta quando deixo meu corpo livre por vestir tecidos de algodão e chita.

Eu fico preta quando deixo que meus pés descalços tocarem o solo para receberem da mãe terra as energias positivas.

Eu fico preta quando acredito que todos nós somos iguais, e que as diferenças entre raças são nascidas no terreno fértil da ignorância e alimentam preconceitos que afastam, maltratam e matam.

São tantos os momentos em que eu fico preta. E todos eles com tanto orgulho porque tenho em minhas veias o sangue bravo e heroico do povo africano. 

Eu reverencio o Dia da Consciência Negra










Quem tem amor...