Tolerância









Quem é organizado, é.





Novembro 2016. Fazia quase dez anos que eu não ia lá. Da última vez tinha sido em 2007, porque na verdade e me desculpem os médicos, o bom mesmo é não precisar deles.

A atendente perguntou meu nome. Informei.

Atrás dela tinha uns arquivos de aço com gavetas, abarrotados de fichas pautadas, daquelas com quase 22 cm de largura e um pouco mais de 10 cm de altura, já com as bordas desgastas pelo tempo, manuseio e a primeira impressão pareciam muito desorganizados.

A atendente virou a cadeira para trás, com as pontas dos dedos passou algumas fichas e retirou um molho, rapidamente. Eu perguntei se ela queria ajuda para procurar minha ficha. Ela, sem levantar a cabeça, disse que não.

Em menos de dois minutos, acredito eu e para minha surpresa, a atendente tirou a ficha e guardou o restante na gaveta. Perguntou meus dados pessoais para atualizá-los, enquanto eu dizia também para mim mesma: não estava desorganizado. O arquivo funcionou.

Na Era dos Bytes, da velocidade da informação, da racionalização do papel para reduzir o impacto sobre o meio ambiente e do efêmero, ter um arquivo daquele no consultório localizado nos dos bairros mais caros por metro quadrado do Recife, parecia surreal. Mas, acreditem, ainda existem muitos e aquele atendeu ao conceito do bom arquivo.

Mas, o que é um bom arquivo? É o que resgata, em menor espaço de tempo, as informações armazenadas, de forma ordenada, para responder precisamente a uma busca. Um bom guarda-roupa é aquele que guarda de maneira organizada nossos pertences e encontramos rapidamente aquele vestido amarelo, com flores brancas, que usamos no réveillon de 2009, e que não nos desfazemos por guarda consigo boas recordações.

Simples assim.

Quanto maior a quantidade de informações que agregamos ao nosso objeto de pesquisa, maior será a nossa necessidade de ter eficientes ferramentas de busca que permitam não apenas resgatar, mas comparar, analisar, atualizar, recriar, compilar e relatar as melhores respostas. É aqui que entra o computador.

Mas, não adianta adquirirmos os melhores softwares para aperfeiçoar o trabalho, se não desenvolvermos a nossa capacidade de organização, básica. Por isso, encontramos escritórios pessoais abarrotados de papéis, ao lado do “velho” computador.

Então, pra que isso?

Para nos dar o conforto de sabermos que podemos, a qualquer momento, lançar mão de uma organização, nem que seja na aposentadoria, ou melhor, quando teoricamente iremos precisar de menos respostas do nosso arquivo porque nossos interesses podem estar mais diversificados.




Então, qual o melhor método de arquivamento? O da mesa?

Aquele em que colocamos tudo em cima da mesa e um aviso oral e escrito “proibido faxina”, mas encontramos rapidamente o que precisamos? E vivemos tendo medo que estranhos entrem no nosso ninho?

Ou aquele método que não tem medo de estranhos, porque está tão organizado para que todos tenham acesso, inclusive nós?

Quem é organizado, é.

Quem não é organizado, pede ajuda.

Quem ajuda, deve escutar a necessidade de quem vai usar.

E quem vai usar um arquivo, deve obter a resposta rápida 
para sua busca.

Então o primeiro passo para se construir um bom arquivo é não ter medo de disponibilizar para o outro.

Neste início de ano, ocasião propicia para se fazer uma boa faxina, vale à pena refletirmos sobre o assunto.







2017







Ouvi duas senhoras conversando numa padaria.

Uma dizia que, frequentemente, caminhava do bairro da Mangabeira para o Morro da Conceição, ambos em Recife, porém distantes. O motivo era assistir à missa dominical na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade.

E no dia 08 de dezembro, quando se homenageia a Santa, ela tinha encontrado na festa religiosa a comitiva do governo do Estado de Pernambuco. Com o governador e o prefeito do Recife, estava Renata Campos – esposa do ex-governador Eduardo Campos.

A outra senhora perguntou: - Quem?
A devota disse: - Renata Campos, mulher de Eduardo Campos.
A outra: Eduardo Campos?
- Sim, Eduardo... O governador que morreu, falou a devota.
A outra senhora ficou calada como se não soubesse de quem se falava.

Pensei na morte do ex-governador Eduardo Campos, em plena campanha eleitoral para presidente do Brasil - um dia depois de ter dado a entrevista ao Jornal Nacional e afirmado “Não vamos desistir do Brasil”. Sua morte, por acidente de avião no dia 13 de agosto de 2014, repercutiu no Brasil e no mundo. Seu velório e enterro foram transmitidos ao vivo pela Rede Globo, por mais de 10 horas ininterruptas.

Não sendo partidária, mas onde estava aquela senhora que não sabia quem tinha sido Eduardo Campos?

“[...] Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê? [...]
(Titãs)

É sobre esse manto que o país vive. Esse manto da ignorância do eleitor provoca a falta de moralidade, a canalhice, o desemprego, a falência do ensino, a morte da saúde pública, a falácia da reforma previdenciária e da PEC 55.

Então, que em 2017 sejamos todos nós brasileiros mais ativos na vida política e pública do país. Vamos cobrar aos governantes nossos direitos: melhores condições de vida, saúde, educação, segurança e lazer. Não vamos desistir do Brasil.







#somostodosPAPAI









E chegou o Natal...


Meu pai me ensinou a amar Papai Noel. Minha mãe me fez gostar de armar a árvore de Natal, enfeitar a casa e fazer comidas típicas do período.

Este ano, a nossa família não terá a presença física do meu pai. 

Ele está em outra dimensão.

Mas, como o bom velhinho, papai estará entre nós pela força do pensamento e pela saudade.

Saudade só se tem do que é bom.

E como Papai Noel, que está presente no imaginário de crianças e adultos, papai se eternizou nos filhos.

Então, #somostodosnoel.

#somostodosPAPAI.

Bom Natal!

Um bom reencontro com a mensagem de fraternidade de Jesus Cristo.





Ser humanizado





Minha filha chegou hoje de uma formatura de medicina e contou que o discurso da concluinte/oradora lembrou o lado humanizado da profissão. Quando ela terminou, eu disse: tudo isso é balela, é vazio. De 100 médicos, só acredito que 10% darão tratamento humanizado ao paciente. Eu conheço profissionais que fazem cursos de formação humanística e sequer conseguem dar "um bom dia a alguém".

Quem é humanizado, verdadeiramente, é desde infância e cresce um adulto consciente de sua responsabilidade enquanto cidadão, porque recebeu desde o berço as noções de igualdade, fraternidade e respeito pelo outro e pelo patrimônio público.

Quem é humanizado não vive isolado na sua própria realidade, mas exerce empatia, busca o bem comum, preservando, contudo, sua individualidade e opinião.

Quem é humanizado, nesse país desigual que é o Brasil, sabe que o poder é branco e que são os pobres e pretos que superlotam o sistema penitenciário, que estão nos corredores dos hospitais sem atendimento, que mendigam pelas ruas, carecem de moradia e estão grafados na maior parte dos processos.

Quem é humanizado sabe, em qualquer profissão, se colocar no lugar do outro, principalmente, no que diz respeito à educação, saúde e justiça. Jamais se sentirá superior, mas igual.

Quem é humanizado, não precisa de retórica, simplesmente é. Ele sabe que, basta sair de casa para ouvir um grito oprimido e alarmante: você tem e eu não tenho. Esse grito se transforma cada vez mais numa grande onda de violência.








Conhecimento x Virtude







Dalai-Lama